Isolamento está a alterar os hábitos de consumo de TV. Estudo britânico revela novas tendências.

Isolamento está a alterar os hábitos de consumo de TV. Estudo britânico revela novas tendências.
11/05/2020 Ana Grácio

Isolamento está a alterar os hábitos de consumo de TV. Estudo britânico revela novas tendências.O teletrabalho, o isolamento social e as situações de quarentena vieram colocar as audiências dos canais de televisão em números recordes. A Thinkbox,  associação de marketing que reúne os principais canais comerciais de TV no Reino Unido, desenvolveu uma análise para compreender melhor as tendências de consumo de conteúdos audiovisuais durante este período. O género de comédia, programas mais notálgicos ou de família são os preferidos dos telespetadores.

Para esta análise, comparou-se a audiência média das duas primeiras semanas de confinamento com a média anual de audiências disponibilizada na BARB (Broadcasters Audience Research Board). Além disso, envolveu ainda 12 famílias às quais foram solicitados vídeos diários para se ter uma representação mais humana e profunda sobre como o consumo de TV está a mudar.

A visualização de programas de comédia aumentou 40% nas primeiras três semanas de confinamento, em comparação com os números do ano anterior. As pessoas estão a inclinar-se para conteúdos que as façam rir durante este período.

Para os anunciantes o mais importante é saber que a audiência televisiva partilhada aumentou 37%, quando comparada com o mesmo período de 2019. Por lar os anunciantes estão a conseguir chegar a mais pessoas. Por outro lado, e, mais uma vez, consequência do isolamento social, também se registou um aumento de 15% das pessoas que assistiram sozinhas.

Na sua análise, a Thinkbox partilha algumas histórias curiosas sobre as novas formas de consumo, que chegaram através dos diários em vídeo, pedidos às 12 famílias: um casal em teletrabalho reservou a hora de almoço para comer e ver televisão juntos. Um pai assistiu a programas de culinária com os filhos, antes de recriar as refeições na cozinha. Como resultado desta nova união, existe agora uma “visualização conjunta” e este estudo dá um belo exemplo disso: uma mãe que arrastou a sua filha adolescente para uma sessão da saga Twilight.

Outra tendência verificada é a nostalgia e revivalismo através da visualização de conteúdos mais antigos e que remetem para tempos menos turbulentos. É também uma oportunidade de pais e filhos poderem assistir juntos a alguns programas clássicos da televisão. Com o desporto ao vivo suspenso e a produção de novos espetáculos paralisada devido aos cortes orçamentais e ao lockdown, podemos ainda vir a assistir a um aumento desta tendência.

Pediu-se também às famílias que partilhassem vídeos dos momentos de visualização de notícias, uma vez que o consumo programas de informação mais do que duplicou (em 124%) nas primeiras três semanas de isolamento. Contudo, o aumento do sentimento de ansiedade que a cobertura noticiosa do COVID-19 causava nos telespetadores foi identificado como uma barreira a um maior consumo deste tipo de conteúdo.

Para continuar a acompanhar a atualidade e reduzir a ansiedade provocada, alguns telespetadores britânicos criaram regras, selecionando os momentos do dia em que assistiam a programas de informação. Muitos optavam por fazê-lo de manhã cedo ou apenas na altura dos briefings do governo e entidades de saúde.

Os hábitos de consumo de media estão a mudar drasticamente, uma mudança segundo a Thinkbox consequência dos efeitos do isolamento e distanciamento social. É vital para as indústrias televisa e publicitária compreenderem e acompanharem esta evolução de comportamentos e procurarem atempadamente formas de adaptação e estratégias reativas a estes novos tempos.

A televisão vive um momento alto, com várias pessoas a explorar todos os cantos do universo televisivo de forma a se manterem a si e às suas famílias, entretidos e procurando conforto na partilha de experiências.

Perante este cenário, os números deveriam ser animadoras para as emissoras de TV, contudo o aumento do número de telespectadores não é equivalente ao aumento das receitas publicitárias, uma vez que os anunciantes têm vindo a cortar nos orçamentos.

0 Comentários

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*